sábado, 14 de março de 2015
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
Num deslize
Você gosta
das coisas juntas
Tudo em seu
lugar
Outros
sonham com um pescoço
Sob a sola
dos seus pés
Você não
perde tempo
Quer mais
tempo para sorrir
E tem que
controla o tempo
Para tudo
controlar
Trituram vidas
Trituram
sonhos
Com a mesma
simplicidade
Que se morde uma maçã
Ande na
trilha
Não perca o
rumo
Ou num
deslize
O ceifador se torna você
Muitos dos
que hoje sofrem
Farão sofrer
amanhã
A vitória
sempre é doce
E se cospe
em quem fica para trás
Oprimido
choro silencioso
Que se torna
escuridão
Brilham estrelas
falsas
Bate torto o
coração
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
No calmo da alma
Pare um pouco
Respire
Você não era assim
O mundo já girou mais devagar
Lembra de passar a tarde inteirinha brincando no rio
Com os dedos murchos e a alma inflada de tantos sorrisos
Lembra como você se emocionava lendo na adolescência
E de escutar, escutar e escutar aquele bom disco de vinil
Muitos deles da antiga coleção de seu pai
Experimentando calmamente novas sonoridades
Descobrindo a música e descobrindo a si mesmo
Não lemos mais por ler
Não assistimos mais filmes com a devida calma e dedicação
Tudo é rápido, urgente
Money, money, money
Aparências
Compromissos
Vivemos esgotados
Esquecemos de brincar
Crescemos e evoluímos
Mas perdemos algumas capacidades
Pare toda esta doença moderna rapaz
Pelo menos um pouco
Não corra tanto
Volte a sentir os pequenos prazeres
Os melhores prazeres
Os que te definem
Os que te tornam maior e mais feliz
O tempo é implacável
Atropela mesmo
E sem perceber
Te coloca de joelhos diante desta loucura
Desta sociedade inversa e sem sentido
A verdadeira felicidade está no vácuo
Na jornada e não na conquista
A felicidade está na lacuna da vida
Na harmonia com o universo
Somente neste lugar lento
No calmo da alma
No colo da vida
É que nascem poemas, sonhos, idéias, revoluções...
Ali você se conhece
Ali você produz este monte de coisas que quase nunca te darão dinheiro
Mas que te tornarão absurdamente maior
Pare um pouco
Respire
Esqueça a agenda
Tire férias de ti
Para quem dar atenção?
Para o que dar atenção?
Distrações e iscas de sedução não faltam
Vícios e tecnologia
Escravidão moderna
Então pare
Pelo menos um pouco
Pare para não cair
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
A gente é cego porque quer
A
ideia fixa, egoísta e ditatorial existe “igualzinha” na mente do conservador e
do libertário. E justamente esta é a característica humana que tanto trava a
evolução harmônica da sociedade. É cada um por si e ninguém por todos.
Existem
diferentes discursos, diferentes culturas e existem diferentes apontamentos de
caminhos para o progresso entre os estereotipados “populistas revolucionários
xiitas”, “capitalistas ricos” ou “coxinhas classe média”, mas no fundo todos
são pseudo-humanitários e coletivistas.
Não
vamos generalizar, pois existem as raras almas iluminadas que passam por este
mundo e nos honram com sua energia pura, agregadora e positiva. Mas fora os que
não sabem de nada, os “deixe a vida me levar”, a maioria finge para si mesmo e
para os outros que acreditam e defendem o bem comum, mas basta sentir o sabor
do mel do poder escorrer no canto da boca que não desejam mais largar o cálice.
É a famosa ganância, o ego humano, o vício de estar no centro, na crista da
onda, de estar certo. Adoramos ser
bajulados e que reine o EU sobre o NÓS, pois na hora do “vamos ver” é melhor
que o amado e temido seja eu, ou minha turma. E nessa hora o bem coletivo vai
para o ralo, porque defendemos nosso lado com intensidade, inclusive pisando
nos outros se for necessário.
Somos
humanos, somos farinha do mesmo saco, quase nunca percebemos a verdadeira essência
dos ensinamentos das religiões que seguimos e não visualizamos até onde vai a nossa
ilusão. Nossos princípios dependem de nossa visão de mundo, de nossas
experiências, de nossas leituras e infelizmente fomos criados assim:
competitivos, vaidosos e desconfiados.
Às
vezes batemos no peito e nos preocupamos demais com o homem simples que pode
facilmente ser manipulado pelas estruturas dominantes de poder. Defendemos que
ele precisa ser educado e conscientizado, que a culpa de muitos problemas
sociais derivam de sua falta de discernimento da realidade. Mas o que dizer dos
ditos intelectuais que também perpetuam esta cadeia de caos. A cegueira crítica
não tem status, o “ser deslumbrado e enganado” parece estar presente em nosso
DNA.
É
cada um com a sua ideologia, paixão, fé ou loucura.
Com
relação a senso de coletividade, a grande maioria é tão troglodita quanto uma torcida
fanática de futebol ou extremistas religiosos. São radicais em seus
posicionamentos e não visualizam os meios termos, apenas defendem com
argumentos mais ou menos elaborados a sua cegueira.
Pode
ser necessidade de sentir-se parte de algo maior, de um grupo, de sentir-se
importante perante a sociedade, de ser o líder dominante, de saciar a dúvida de
estar cumprindo seu plano terreno ou puro narcisismo. Pode ser muita coisa da
complexa “insociável sociabilidade humana”.
Valorizamos
o que conhecemos, o que julgamos nosso e menosprezamos o alheio. Queremos mesmo
é mandar! Não existe discernimento, bom senso, apenas passos firmes numa marcha
pré-ensaiada rumo à vitória. A minha vitória. A vitória de meus interesses. Mas
quase nunca a vitória da humanidade e do coletivo. E creio ser este o grande aprendizado
que necessitamos: conviver harmoniosamente com o próximo e com o ambiente que
nos cerca.
Analise
bem, são tempos confusos. Quase nunca sabemos onde a verdade realmente está, quem
é mocinho e quem é bandido neste globalizado e moderno mundo. Acabamos agindo
por impulso e, muitas vezes, nos posicionando erroneamente.
A
gente fica aí, brigando nas tribunas, nas urnas, nas redes sociais e brigando
para sobreviver. E a mídia jogando gasolina, buscando audiência e lucro
enquanto esquemas públicos e privados rolam soltos. Nada muda porque é muito
interesse e muita alienação.
Na
política é assim também. Partidos são quase iguais porque são compostos por
pessoas. Podem até possuir diferentes ideologias e propostas de gestão, mas vão
acabar beneficiando as suas pessoas e as suas alianças em detrimento de uma
cidade, de um estado ou de uma nação. Sempre foi e provavelmente sempre será
assim. A não ser que aconteça uma verdadeira revolução cultural, uma profunda
mudança no sistema e que as pessoas deixem de ser menos bairristas, menos
hipócritas e menos aproveitadoras.
Ainda
não há vacina para nossa arrogância, para nossa maldade. Mas por sorte existe
educação, belas artes, filosofia coletiva, fé e amor ao próximo. Sempre há
esperança. Existe gente do bem tentando e uma nova geração pode ser formada com
novos valores. É nisto que devemos focar.
Precisamos
de pessoas menos cegas por seus ídolos, sejam eles da música, da TV, da ciência,
da religião ou da política. Precisamos bajular menos e cobrar mais resultados
dos gestores públicos, independentemente de suas origens. Precisamos ser menos
barraqueiros e mais agregadores, pensando harmoniosamente e coletivamente por
soluções que beneficiem a todos. Precisamos aprender a nos colocarmos no lugar
do outro, de suas dores, de seus sentimentos, aprender a conviver com novas
culturas. Precisamos aprender a querer ver todos felizes e não apenas nos
beneficiarmos da exploração dos recursos naturais e das pessoas.
Vamos
sonhar por uma sociedade melhor. Pode ser utopia, mas eu sonho.
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
Entre tapas e coices
- Como vai vossa bizarrice?
- Como tem passado ser repugnante?
- Calhorda!
- Patife!
- Esdrúxulo!
- Energúmeno!
- Facínora!
- Vil criatura!
- Você é sem sal, sem alma.
- Você é o filhinho que a mamãe errou.
_______________________________
- Nossa, que horror! Eles são amigos não é?
- Não. São amantes. E sarcasticamente... Se amam.
- Gente é uma coisa esquisita né?
- Sim. Cada qual com seu sabor de felicidade.
Palavreado
Pois é Lia... Começamos este texto há algum tempo na mesa de madeira ao ar livre.
A palavra
instiga
A palavra
confunde
A palavra se
perde
A palavra é
nula
A palavra é tudo
A palavra
excita
A palavra
apodera
A palavra
conquista
A palavra
mente
A palavra
insulta
A palavra
machuca
A palavra
conforta
A palavra
une
A palavra
maldita põe tudo a perder
A palavra move o mundo
E a palavra mata também
Você é uma
palavra?
E sem palavras você pode não ser ninguém
Amamos a
palavra
Amamos com
palavras
Cantamos com
palavras
Lutamos
diariamente com palavras
A palavra da
escola ensina
A palavra do meliante assusta
A palavra do amigo alegra
A palavra do belo ofusca
A palavra do policial impõe
A palavra do amigo alegra
A palavra do belo ofusca
A palavra do policial impõe
A palavra da ambição corrompe
A palavra de
mãe acaricia
A palavra de
pai espanta o bicho papão
A palavra do
chefe não é dele...
... é do capital
A palavra do
boêmio não é dele...
... é do Dionísio
A palavra do
político não é dele
... é do diabo
E a palavra do
poeta pode nem rimar
Você é a
palavra
Ou se
esconde atrás das palavras?
Ok
Paremos
por aqui
Façamos silêncio
Chega de
palavreado
Cansei de
pensar
De brincar
com palavras
Desejo agora lambuzar
a alma
Portanto
Com a boca e
com minhas palavras
Te peço e te
lasco um beijo
sábado, 6 de setembro de 2014
Boa música: o fermento do clássico
Como reconhecer uma música verdadeiramente boa?
Em primeiro lugar uma música verdadeiramente boa irá variar de indivíduo para indivíduo, dependerá de sua capacidade de decodificação, de compreensão e de seus mapas mentais.
Em primeiro lugar uma música verdadeiramente boa irá variar de indivíduo para indivíduo, dependerá de sua capacidade de decodificação, de compreensão e de seus mapas mentais.
Você pode analisar tecnicamente, apenas avaliar os danos emocionais que causa em seus sentimentos ou então nem se importar com nada e apenas sentir o que você se permite sentir.
Enfim, é arte, é cultura, é livre, uns valorizam mais, outros menos, outros nem racionalizam sobre o tema.
E música também é polêmica. Ficar divagando sobre o tema vai longe e a intenção não é refletir sobre qualidade, apenas relatar um insight, um pensamento que ocorreu neste que vos escreve. Sem pressões, sem defender o que é certo ou constatações cientificas. São apenas percepções que podem ou não fazer sentido para quem embarcar nessa breve leitura.
Me ocorreu que uma boa música, um bom disco, um clássico, eles demoram para ficarem bons. Podem nascer com sucesso ou não, mas vão crescendo a cada audição.
Tem que ir escutando, descobrindo coisas novas, suas peculiaridades, suas texturas e sensações.
Tem que ir escutando, descobrindo coisas novas, suas peculiaridades, suas texturas e sensações.
Aos poucos, com o tempo, você vai percebendo novas camadas, novas nuanças, a arte acontecendo, o inusitado, a técnica apurada, a simplicidade genial, a experimentação, a poesia, a coragem, o contexto da criação, as inspirações utilizadas, o perfil dos músicos... Tudo se soma, se mescla e a boa música, um álbum clássico, ele vai devagarinho crescendo dentro de sua mente.
Quando percebe-se, ele transcende o tempo, fica gigante. Torna-se eterno.
Este creio ser o maior encanto da música, proporcionar acesso a este fantástico universo.
Deixe a música fazer parte de sua vida, permita-se sentir, fuja do trivial, do infectado produto comercial das massas que apenas te conduz a compassos pré programados do consumo que devora a beleza do mundo. A vida é curta e você pode encontrar uma inesgotável fonte de prazer.
Escutar música desta forma, aproveitando plenamente as suas possibilidades, é um exercício mental, exige um certo esforço, mas tem suas recompensas....
Escutar música desta forma, aproveitando plenamente as suas possibilidades, é um exercício mental, exige um certo esforço, mas tem suas recompensas....
Use seus ouvidos, sua mente, sua alma... Use a música e seja mais feliz.
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